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quinta-feira, 9 de março de 2023

ABRAÇO

 






                                   Inda é cedo e eu acordei pensando ser de manhã. Ufa, que susto! ainda bem, aquela cobra não me mordeu. Dormindo, como saber se tratar de  áglifa? Só depois, sem veneno, dentes integros, maciços, sem furo. Se morde é o beijo da morte, se não morde, o abraço, também da morte. Pasto de bicho vira o orgulhoso homem. O conquistador do mundo, o senhor guerra, dentro daquele saco apertado, engolido meio vivo, ofegante, entregando-se aos pouco, como fim do mundo. Que você prefere, o veneno ferino? Sou claustrofóbico, o veneno, prefiro. Estrebuchar fora e ser engolido sem sentir. Não sobreviveria nos subterrâneos de Gaza, morreria antes dos gazes atiçados, antes das água ali jogadas. Sou mal soldado, não mereço galardão, nem flores no túmulo. Sofro só em ver alguém arrastando-se em túnel estreito. O colchão caído em mim. O colchão me sufocando. Ofegante, morro, morro, morro. Não viveria nas casas estreitas d’Amesterdão, tampouco viveria nas gavetas do Japão. Tu viverias? Responde, tu v. 

 



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