...do que me lembro, conto, do que não, invento. Adepois, nem sei se inventei, se me lembrei, como o falsário, de tanto imitar, acredita piamente em suas contrafaçóes, um mentiroso em suas mentiras.
...um festival indigena no Parque de Exposições de Salvador, ao qual cheguei por acaso, tanto que de palitó e gravatá, onde a maioria estava semi-nu, numa confusão de linguas, hábitos culturais e vestimentas, deixando-me visivelmente assustado, razão porque, percebendo, eles, sempre perguntavam minha etnia ao que respondia ser bugre paiaiá, sem nenhuma convicção, pois depois que os caraí tricaram nossos maracás por uma, perdemos lingua, costumes e origem, tal como fizeram com os homens, e mulheres, claro, trazidos à força para ajudar conquistar nossa e é por isso que hoje, como se via ali, muitos traziam a pele escura e o cabelo crespo.
...entrei numa sala e procurei de sentar, mas, logo em seguida chegou uma turma de mulheres e homens falando uma lingua totalmente desconhecida, apontando para os bancos que me fez compreender ser ali o lugar deles, me fazendo sair envergonhado, pedindo desculpas no meu pobre português que parecia ser lingua menos falada naquela convenção.
...uma senhora india ligeiramente grisalha e e com dentes não muito bem cuidados me ofereceu umas iguarias e eu lhe disse que não queria porque não tinha trocado. Disse, você passa um pix, parente, e como eu lhe dissesse não ter pix, ela se fez cara de poucos amigos, dizendo nunca vi um branco não ter pix, principalmente de palitó e gravata como eu e assim todos que estavam ali por perto começaram a me dizer impropérios. O caraíba não quer ajudar o indígena, esquecendo que isto aqui é nosso qu’eles, os caraíbas tomaram. Disse: caraíba? Eu não, paiaiá, mas sem poder provar, e tive medo, correndo dali até um mato escuro, donde não o sol.
Nenhum comentário:
Postar um comentário