Brumadinho tá todo enroladinho, Vale a pena ver, enroladinho de lama. Vale correr prá ver. O vale correr. Oh, se vale. Tem boi na lama, tem, tem, tem. Tem boi na lama né da conta de ninguém. Tem boi na linha tem, tem, tem, nem que chova canivete, desta vez a Vale paga, meu bem. Ah, meus velhos tempos. Não corria tanta água, nem matava tanta gente.
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domingo, 27 de janeiro de 2019
terça-feira, 13 de novembro de 2018
sábado, 3 de novembro de 2018
Veleiro brigue, túmulo errante, onde vais por este espaço tormentoso? Oh, quisera eu, pelo sol, ser abrasada ou dilacerada pelas feras, minha terra. Oh doces sonhos. Que música suave ao longe soa! Olokun me valha, valei-me senhor dos mares, serenai as vagas procelosas. Ouvir o som. Os atabaques. Que me dizem eles? Irôko, Loko, eró, eró, Tempo, Tempo, Tempo, dai-me teu consolo.
quinta-feira, 11 de outubro de 2018
Valha-me Deus, senhor São Bento. Eu vou cantar meu barravento. Valha-me Deus, senhor São Bento. Buraco veio tem cobra dentro. Valha-me Deus, senhor São Bento, quando se vê cobra assanhada. O som do berimbau soa distante. Corre savanas. Vejo gente correndo atrás de irmãos, de flecha na mão. Cães latindo danadamente. Aqui passa uma jovem em abalada, seguida por uma matilha ensandecida. Os cães não sabem o que fazem, estão a mando de alguém. Para não ser dilacerada pelos caninos, ela sobem numa árvore. Os cães latem lá embaixo, ela segura firme no galho mais alto. Alguns dão pulos tentando subir na árvore, mas felizmente não conseguem. Ficam latindo até chegarem aqueles que a aprisionarão.
sábado, 22 de setembro de 2018
Estou desconfiado de quem me rodeia. Não sinto amizade, parecem movidos a interesse. É uma ajudinha aqui, outra acolá e no fim do mês o baque é muito grande. Tenho de livrar destas pessoas. Como fazer? De vez em quando preciso de alguém e aí a facada é grande, não que me deixe completamente exangue, mas o tombo, meu. E você pensa que os caras se envergonham, nem um pouco. Eu me sinto explorado. Um dia, me pareceu que alguém me chamou negro boçal, mas como não tive certeza, fiz de conta que não ouvi. Só estou esperando a hora dele se manifestar novamente, aí eu serei cruel, implacável.
terça-feira, 4 de setembro de 2018
Eu vim lá de Rio Bonito, Paracatu sabe? Nunca mais voltei lá, tenho medo de receber uma martelada. Afinal quem alisa os bancos da elite não pode ficar dando bandeira, voltando ao lugar de origem. Vão logo te ligar a um traficante, é por isto que os jogadores de futebol, todos saídos das favelas, não mais lá retornam. A elite não deixa. Pega mal. Aí você vira politico de direita e até nazista, principalmente se não tiver uma boa educação. Eu me salvei, pela profissão escolhida. Posso enganar mais facilmente o povão e satisfazer a elite, embora saiba que ela nunca irá me aceitar integralmente. Haverá sempre um pedaço do lado de fora que fará com que eu não entre por inteiro. Tenho certeza que numa reunião de notáveis, se um deles der um peido, todos pensarão que fui eu que peidei, mesmo sabendo que todo peido cheira a seu dono. Eu por exemplo, conheço o cheiro de peido de todos meus amigos. Deu um, nunca mais esqueço. Ele pode voltar a peidar 20, 30 anos depois, logo digo, este é de fulano.
sexta-feira, 10 de agosto de 2018
E sendo eu, Geraldo, não José, o africano, fui, em o ano de 1856, pelo valor de 550$000, vendido a Modesto Gonsalves de Meireles. Meu vendedor Antonio Joaquim de Figueredo me entregou a meu novo senhor que de mim tomou "posse maneira e pacífica".
Quatro anos se passaram na labuta com este novo senhor, nem bruto, nem dócil, e, um dia, encontrando-nos a garimpar nos garimpos da Villa de Lençóis, atividade primeira de meu senhor, que nem sempre era generoso no de comer, como aliás, a maioria dos senhores, segundo me dizem os de minha cor e origem, resolvi de vontade própria, sem que me movesse qualquer outro fado, ir ao distrito policial da Villa de Lençóis e denunciar ao delegado ter sido furtado do poder de meu legítimo senhor na cidade de Santo Amaro, onde tinha vida mais amena que o sofrimento do garimpo, da seca e da fome a que me submetia meu novo senhor.
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